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SÍLVIA RAPOSEIRA em entrevista

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AA - Parece óbvio – pelo prazer que retira dela – que a escrita não é apenas uma consequência das inconstâncias da vida. Que lhe apraz dizer sobre isso?

SR – Apetece-me deixar aqui um poema que já escrevi há alguns anos:

 

Não resisto a uma folha em branco

Não resisto ao apelo do rabiscar

Tudo em mim se anima

Quando ponho o lápis a mandar.

E lá vai ele a tingir o branco

Ora riscando, ora rabiscando

Linhas curvas e retas

De todas as dimensões e formatos

Que se aninham na folha

Como os pés nos sapatos!

 

Não posso ver um papelinho ou uma folha solta que começo logo a escrever. Gosto de escrever por escrever, pelo prazer que me dá e muitas vezes o que espoleta a escrita é algo tão simples como um sorriso.

     AA – A figura marcante do seu avô é a pedra fundacional desta obra. Estamos certos?

SR – Mais ou menos. O meu avô nunca aparece na obra, não há nenhuma personagem que seja, de algum modo, o meu avô, mas o livro assenta na valiosa herança que me deixou: uma herança a que chamo a “dádiva do adeus”!

O meu avô materno, que já faleceu há 30 anos, quando descobriu que estava doente, e sendo ele enfermeiro sabia em primeira mão o tratamento e o sofrimento dos doentes com cancro, largou tudo e rumou ao norte do país, de onde era oriundo, para junto de familiares e amigos e despediu-se deles. Durante um verão conviveu, contou histórias antigas, relembrou, cantou, tocou e depois regressou a Almeirim para morrer entre os filhos e os netos.

Perante a iminência da morte, aceitou a dádiva que Deus lhe deu e disse adeus.

     AA- Este seu “O Ciclo da Esperança” serve também para afrontar “o ciclo da crise”?

SR - A esperança é, de facto, um tema transversal e que pode ser aplicado até mesmo ao ciclo de crise em que vivemos, mas este “Ciclo da Esperança” é algo mais: é o novelo da vida que se desfia com nós, é o caminho de pedras que cada um recebe para caminhar, é a carta fechada que recebemos ao nascer, são as linhas de uma sina que temos de aceitar. Esta Esperança é uma aceitação alegre, confiante, do que a vida nos reserva para o bem e para o mal e independentemente da duração.

 

 

AutorAl agradece à Sílvia Raposeira a disponibilidade e a celeridade destas palavras   .   Almeirim, outubro|2013

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